Onde acaba a arte e começa a ordinarice depende de quem cria ou de quem vê 

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Paulo Jerónimo
Onde acaba a arte e começa a ordinarice depende de quem cria ou de quem vê 

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Paulo Jerónimo

Já é percetível para os leitores do Cosméticas que não aceitamos nem toleramos o rótulo de "ninfomaníacos" atribuido a muitos dos utilizadores da plataforma Facebook (FB) , pelo que dissipando qualquer dúvida passa-se a explicar:
Repugnável, é no mínimo como se pode entender a atitude pseudo moralista que a plataforma toma, e à força impõe, ao banir contas de utilizadores que a toda poderosa FB entenda terem violado os seus conceitos éticos / morais na eventualidade de um user ter transigido a ténue fronteira facebokiana de quem lá coloca publicações de cariz mais ou menos sensual, erótico ou sexual. A questão é essa mesma: a fronteira definida por uma "lei cega", que à minima "pouca vergonha" que entenda algo ser, atira com tudo ao lixo, tipo agência de rating.
Por menos não se pode intrepretar tal atitude da FB - tendo inclusive em conta os "tempos supostamente evoluídos" que correm - de que como estando nós presentes perante a «Madre FB», ou se preferirem uma nova "Big Sister" contemporânea, a antítese de seu irmão mais velho o "Big Brother".
Esta Madre FB, a Big Sister dos tempos modernos, para além de que tudo espia, escrutina, "bufa" prá rua, ou cujos peidos todos de quem lá anda calhandra com as vizinhas da sacristia - também censura à mínima sem vergonhice, tratando subtilmente seus utilizadores como verdadeiros ninfomaníacos.
Não é o direito à proteção das mais frágeis suscetibilidades de quem frequenta a rede que questionamos nesta atitude, antes, a questão é a forma como a Big Sister Madre FB censura radicalmente nesse aspecto os seus utilizadores, como se de lixo se tratassem, pessoas e conteúdos que, segundo a Madre FB, prevariquem.
A questão começou a ganhar dimensões amplamente questionáveis para nós, Cosméticas, com este episódio que "denunciamos" há vários meses aqui.
Entretanto, recentemente, a indignação e mensagens correram entre os amigos facebokianos da user Paula Gaspar, entre os quais me incluo e com quem estou plenamente solidário.
Esta utilizadora da rede social viu a sua página de cariz comercial, a Just Only - que se dedica a promover "produtos inovadores" - artigos eróticos e sensuais - ser banida da rede, estando atualmente de novo disponível aqui , tendo corrido uma ampla mensagem de pedido de apoio no sentido de informar e preencher um questionário para a Big Sister Madre FB onde onde explicavam vários que não, não era isso, o que se na sua mente facebokiana poluída e cheia de macaquinhos com teias de aranha de Madre Superiora, se tratava.
Portanto, medo, muito medo com a Pide Facebokiana! Eles andam aí... Muah, ah, ah, ah!
Mas então ó Mister, porque não retiras a tua conta de lá como forma de protesto, já que te queixas e discordas tanto daquilo? Poderão perguntar alguns...
Okay, eu confesso: Este Sermão das Oliveiras todo mais não foi que arranjar uma desculpa toda pomposa para legitimar e conspurcar a net com mais esse vídeo final aí, literalmente um "Tesouro Enterrado" descoberto aqui há dias e parece ser tido como o primeiro de todos os filmes de desenho animado porno o "Buried Treasure".
Hilariante! E que rebentava a escala de "Gostos" no Facebook, rebentava...
Este post pode ser lido na continuação de Facebook : Censura não rima com Arte
Paulo Jerónimo

Até dia 9 de Janeiro 2012, o Grand Palais, em Paris, apresenta uma história do jogo vídeo.
Foi preciso esperar quarenta anos para que se reconhecesse uma história cultural, gráfica e estética dos jogos vídeos.
Mas nem todos vêem, pacificamente, esta retrospectiva exposta ao lado de obras de Cézanne, Picasso, etc..
Fonte: Médias fr.
Nuno
Esperava prendar-te com este vídeo por motivos mais triviais, mas pronto, cá fica neste caso com os votos de rápidas melhoras.
Cá te aguardamos Nuno, até porque, os traços de grafismo caracteristico português que dizes por aqui descortinar e entusiasmar, precisam da tua animação.
Até já.
Paulo Jerónimo

Considero a Bd Manga, Homunculus, a melhor Manga de sempre no âmbito das que li.
É uma opinião subjectica.
Penso que é uma reflexão a propósito do que é o cérebro humano e das "neurociências". É de atualidade!
Com o número quinze, múltiplo de três, findou o relato... mas não a nossa interrogação que, essa, continua....
Este post deve, absolutamente, ser lido como a continuação de Homunculus: A referência da Bd Manga
Foto: Imagem da penúltima página do tomo XV.
Nuno

Os Manga souberam encontrar uma diversidade que a Bd Franco-Belga ou os comics US nunca souberam explorar.
Os Manga criaram uma diversidade fora de série que parece acompanhar o estilhaçar do indivíduo no âmbito do ultra-liberalismo.
Como se os Manga estivessem para a Bd como Fernando Pessoa ( perdoem-me os puristas) está para a literatura ou a poesia.
Veja-se esta diversidade que pode ajudar a entender a BdManga :
Shôjo: Manga para meninas adolescentes.
Josei: Para moças e adultos.
Shôjo-ai: Romance sentimental entre mulheres.
Shônen-ai: Romance sentimental entre homens.
Yaoi: Romance sexual entre homens.
Yuri: Romance sexual entre mulheres.
Tal como na teoria dos conjuntos, existem intersecções.
Todavia, o Cosméticas, precursor do aquém e do além, defenderá sempre que não existem fronteiras num relato contado em imagens.
Imagem: detalhe da Manga "Ultra Haeven" de Keiichi Koike
Nuno

Facebook censurou a página dum internauta Francês que publicou o quadro de Courbet : 'A origem do Mundo'.
Porquê ?
Até hoje, quase ninguém se lembra que Orlan paradiou A origem do Mundo de Courbet, dando-lhe o título de : 'A origem da guerra'.
Porquê ?
Este post pode ser lido como a continuação de "A Transmição simbólica : Folheto nº2 "
Nuno

Amor é fogo que arde sem se ver.
Je vis, je meurs : je me brûle et me noie ;
é ferida que dói e não se sente ;
J'ai chaud extreme en endurant froidure:
é um contentamento descontente.
La vie m'est trop molle et trop dure.
é dor que desatina sem doer;
J'ai grands ennuis entremêlés de joie.
Louise Camões (1525 ? - 1580) & Luís Labbé (1525 - 1566)
Nuno

Curiosamente, nesta época que antecede o Natal, várias compilações de grandes conjuntos que marcaram o passado foram editadas com acrescimentos novos : Quer musicais quer tecnológicos, pedindo novos suportes tecnológicos.
"Compra Aqui" cantava, pelo passado, o conjunto Portuense GNR.
The Beatles, David Bowie... fazem parte dos eleitos. Não os " The Doors" ! Porquê ?
Curiosamente, com ou sem Natal, as referências e as pesquisas quanto à "guerra das trincheiras" e à denúncia da guerra, em geral, vão surgindo com maior força.
O Soldado Esquecido ? Ou o medo do estalhiçamento da ideia da Europa e o regresso à "Barbarie" ?
Os "The Doors" são uma ponte musical entre o Surrealismo e a Psicanálise. Esta última é vincada, explicitamente, no conjunto da obra dos "The Doors".
Talvez seja esta diferença, entre o explícito e o implícito, o que incomoda ?
Foto : Libé/Mag, p. VI, 12 de Set de 2010
Nuno

Uma das carecterísticas essenciais, senão a primeira, do que é Humanidade é o culto dos mortos.
O culto dos mortos nada tem a haver com o ritual dos mortos nem com DeadBook !
Baleias e elefantes têm o seu cemitério ritual.
O culto dos mortos reenvia para uma memória que tem consciência para com o passado que se transfigura, por essência.
O rito dos mortos reenvia para gestos repetitivos passados e reproduzidos de modo instintivo com um passado que não se transfigura, por existência.
Melhor dizendo : O ritual não tem movimento ! O Culto sim !
Quando o luto se torna virtual, o que acontece com a nossa história pessoal ?
A memória dum ser desaparecido posta em linha, ainda é luto ?
Facebook precisa de clientes. E mesmo a morte se tornou um mercado.
DeadBook apresenta as caracteristicas da pessoa falecida em vida...
Diaporamas, vídeos... dos defuntos, mudados, transfigurados... ou não em função de quem elaborou o profil do defunto.
Para DeadBook : O que conta é a existência ! Não a essência !
E quando se esquece a essência... se esquece a humanidade e a memória da vivência.
A memória não é uma simples colecção de frases, fotos ou vídeos... DeadBook parece ser um obstáculo à realização do luto.
Foto : Cabeça-Troféu mumuficada Munduruku / Télerama hors série 2005, p.19
Nuno

Claire Nebout aceitou ser fotografada numa altura em que o corpo sofre o peso da gravidade.
Somos terrestres. Podemos correr, fazer dieta, operações estéticas...mas a lei da gravidade questiona a velhice e a morte.
Claire Nebout foi uma actriz que, no cinema, pôs o seu corpo em avanço, brincando com este.
Claire Nebout aceitou ser fotografada no seu quotidiano actual. É claro que não é a nudez que está em tema, mas sim a alma.
Penso que Claire Nebout, aceitando mostrar o seu corpo que se transforma, mostra que recusa qualquer manipulação.
Uma lição de sabedoria !
Fonte : Claire Nebout Nus, Editions du Chêne, Paris 2010
Nuno

A Capoeira ganhou a Europa.
Hoje em dia, qualquer cidadezinha Francesa tem a sua escola de Capoeira.
A Capoeira é uma arte que junta danças Africanas e ritmos festivos onde os participantes formam uma roda.
Na Capoeira não existem nem vencedores nem vencidos.
Contrariamente às outras artes marciais, cultiva-se o espírito da partilha e não o da competição.
A Capoeira é uma prática que solicita o conjunto do corpo. Talvez seja este aspecto que seduz, cada vez mais, as mulheres.
A presença feminina é muito superior na Capoeira em relação às outras artes marciais.
A Capoeira, graças à sua roda, tem contribuído para o desenvolvimento da língua Portuguesa, dimensionando esta nos espaços e variantes Africanos e Americanos ( do sul / Brasil ).
Foto : Médias fr
Nuno

O Mito Brigitte Bardot está a renascer.
Nestes tempos de " turboliberalismo" marcados pela regressão da condição humana e, logo, da condição da mulher, os criadores de moda re-descobriram Bardot.
Bardot foi símbolo da liberdade feminina e da sedução sem entraves num passado recente.
Hoje os vestidos, sapatos, bolsas, chapéus, perfumes ... tentam recuperar essa imagem de liberdade assumida e alegre que Bardot simbolizava na tela.
Como se o passado pudesse afugentar a crise e a opressão das mulheres...
Imagem : " Le Monde Magazine ", 17 de jul de 2010, p. 59.
Nuno

No Níger, homens Peuls Bororo dançam maquilhados diante das mulheres, esperando serem escolhidos.
Se a palavra arte é do género feminino em Português, já em Francês é do género masculino.
E o que dizer, no campo lexical do calão, de "o engate" e o do seu equivalente Francês "la drague" ?
Quem disse que as línguas não tinham um sexo ? A palavra e Le mot ?
Este post também pode ser lido como a continuação de " As línguas têm um sexo ? "
Foto : Libération, 20 de Julho de 2010, p.23
Nuno
...há uma máxima qualquer na industria de TV e Audiovisuais mais ou menos assim, como o tema acima. E há de facto pouco para inventar. Fosse cliché numa cena de filme , seja baseado no enredo dum livro, um formato de programa ou concurso adaptado para tantos idiomas, culturas, países... é nisso que reside a arte dos audiovisuais: no "pouco se inventa", nada se cria, "tudo se copia".
Parece tal admissão pouco abonatória? Diria que nem por isso. Nesta "máxima" há simbologia, temos metáfora.
Tomemos por exemplo o expoente máximo audiovisual, o Cinema. A Sétima Arte passa a ser reconhecida enquanto tal, muito pela grande disponibilidade aliada a habilidade do saber olhar, interpretar, e então, naquele formato, o da 7ª, saber imprimir as outras e demais Artes: Literatura, Música, Teatro, Fotografia, Dança (ritmo), Escultura/Plástica (nas formas, objectos, luz, profundidade, no 2 ou 3D) etc... todas estas e outras artes, são os ingredientes e nelas reside o grosso da criatividade. A indústria do cinema, basicamente é uma mega-cozinha. Cabe-lhe o papel de pegar nos ingredientes, seguir "a receita", e enquanto tal, há muitos cozinheiros a fazem-no com o grande mérito de Arte. Hallelujah!
Voltemos à TV. Diga-se que a função da tela, ou ecrã, se quiserem, basicamente é mostrar. Dai dispensar-se tantas vezes de criar ou inventar, basicamente, habituaram-se a copiar, a seguirem as "receitas d'avó" de comprovado sucesso popular, e que de antemão sabe-se: resultam. A dificuldade reside no não desvirtuar, dar na quantidade certa para não enjoar.
Conhecem *este videoclip* (link) ? Então agora comparem-no lá com esta versão portuguesa, made in Sic Radical, e depois digam lá se a "máxima em epígrafe" tem ou não toda a razão de ser, e se não é disso que o publico alvo quer ver... Faz-te a vida, se já confirmaste o link atrás, agora pica o play.
PC Jerónimo da Silva