(clicar para ampliar)

 

No final de Outubro de 2011, para marcar o acontecimento da retirada das tropas US do Iraque, o diário Libération decide reproduzir a entrevista com F.F. Coppola realizada, por Marc Kravetz. Foi há 32 anos.

 

Não farei qualquer comentário. Lembro apenas que Star Wars, interpretando as palavras de Coppola, é já na época muito mais que uma simples saga...

 

Segue a tentativa de tradução da entrevista:

 

Um filme sobre a guerra do Vietname, uma história onde o Vietname não é mais que o cenário duma viagem interior, o filme trata de uma guerra diferente, da sua guerra?

A melhor coisa que fiz foi ultrapassar os problemas de actualidade a propósito do Vietname. O que estava a fazer a América no Vietname? Qual era a política do governo Americano em relação aos movimentos que nos Estados Unidos tentavam parar com a guerra... São perguntas que o meu filme nunca aborda. Isto não tem nada a ver com a condição humana nem com os temas que queremos explorar, a moral confrontada com os seus limites, o horror. É verdade, o Vietname é utilizado como o cenário duma enorme peça concebido como um mistério da Idade Média. (...)

 

Disse numa entrevista que Georges Lucas, o realizador de "Star Wars", podia se o desejasse fabricar um presidente dos Estados Unidos...

Sem qualquer dúvida. Pode-o verdadeiramente.

 

E você?

Provavelmente também. Excepto que o presidente dos Estados-Unidos já não tem grande peso. Eu tenho mais importância que ele.

 

Como isso?

Na medida em que posso dizer peguemos em quinze milhões de dólares e façamos um filme, escolhendo todos os ingredientes necessários para agradar a um vasto público e em temas que podem ser entendidos e transformados em acção. Pode-me dizer qual outra pessoa é susceptível de tomar esta decisão e realizar um tal objectivo?

 

Não é "o" poder; Unicamente aquele que modifica algumas ideias...

O que há de mais importante? Como fizeram os nazis antes de obterem a totalidade do poder? Lembre-se que só conheciam o cinema a preto e branco. Imagine o que se pode fazer na idade da electrónica, quando o planeta poderá ver, ao mesmo tempo, as competições olímpicas, a entrega dos óscares em Hollywood ou um combate de Mohamed Ali.

 

Tem uma grande confiança na tecnologia?

Um dia alguém inventou uma máquina que permitia fabricar barato tecido em grande quantidade, isso provocou a revolução industrial. As pessoas que lêem o jornal nos seus sofás predizem que nada acontecerá e, contudo, um dia isso acontece. O cinema é muito pujante. A televisão mais ainda. Tudo o que pensamos, a nossa ideia do bem ou do mal, os nossos gostos, a nossa linguagem são formados pelos média. O progresso tecnológico vai decuplar tudo isso, permitir a difusão imediata das produções audiovisuais. Tenho a impressão que os governos não tratam verdadeiramente dos média, não vêem até ponto tudo está prestes a arrebentar. Finalmente, é bom sinal. Se as pessoas que estão no poder não estão conscientes do que lhes acontece, não ficarão muito tempo no poder. (...) A América, uma certa América, está a morrer. A minha ideia, talvez o meu sonho, é que estamos na véspera duma mudança incrível, o maior da época moderna e que, daqui a oito ou dez anos, já não viveremos no mesmo mundo. Os Estados Unidos vão morrer, mas o país é tão rico, tão diverso com as suas populações vindas de todos os lados que renascerá de maneira mágica. Mas já não se tratará dos Estados Unidos. (...)

 

Neste filme, acumulou os símbolos culturais americanos, "bunnies", "steaks", "surf" mas também"hasch", "lsd", "a música rock", sub-conjuntos apresentados como pertencentes a sistemas com valores antagonistas?

Sim. Queria mostrar que o Vietname dos Americanos não era mais que a própria América, que tudo o que se passava em Los Angeles também se passava no Vietname. É por isso que no barco, a um dado momento, se vê uma foto de Manson que matou para protestar contra a guerra. O personagem acaba de receber uma carta da sua namorada com o recorte do jornal e bolachas. Ele come as bolachas e vê a foto. E acha que esse Manson é decididamente esquisito. Todavia, ele está no Vietname. Ele vive diariamente no horror. A loucura está em todos os sítios. As pessoas que não gostam do filme dizem-me que Brando não diz nada. Brando diz muita coisa. Lê o "script". Trabalhámos consideravelmente sobre o seu texto. Era preciso dar a aceitar um rosto que fale num plano muito grande, contrariamente a todas as regras cinematográficas. Ver-se, por fim, tal como se é e aceitar-se, mesmo ao preço da morte. É isso que quer dizer Brando no fim.

 

Podemos dizer que Apocalypse Now é a guerra fora de si e dentro de si, um Vietname espiritual ao mesmo tempo que uma rigorosa re-construção?

Exactamente. Não é a crónica verista duma guerra verídica. É a guerra na sua essência.

 

Que diz o produtor Coppola no dia seguinte de Apocalypse?

Tenho vontade, agora, de trabalhar num estúdio à moda antiga, como no tempo da Warner. Tenho uma série de filmes na minha cabeça, alguns são realmente fantásticos, mas não os poderei realizar com uma máquina. O estúdio é a máquina. Vou tentar construir um. Evidentemente, é um empreendimento de centenas de milhões que não posso assumir só. Preciso encontrar sete ou oito realizadores que estejam de acordo para se lançarem nesta aventura. Um estúdio "hollywoodiano" na tradição da MGM. Mais pequeno, com certeza. Enfim, não muito mais pequeno. A MGM era fantástico. Mais pequeno, apesar de tudo.

 

Este post pode ser lido como a continuação de Os projectos futuros de Coppola

Nuno

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Greenpeace recorreu, com grande sucesso, à saga Star Wars para denunciar o perigo que certas multinacionais apresentam para o meio ambiente e o futuro do nosso planeta.

 

Foto: Revista, Greenpeace, Out-Nov 2011, p.8

Este post pode ser lido como a continuação de Facebook: Carvão no Porão?

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Não foi simples escolher entre a palavra canalisador e a palavra picheleiro.

Portugal é um país pequeno cuja língua apresenta um número sem fim de sinónimos.

Se o riso é o próprio do Homem ( Rabelais ) que esse seja contagioso e libertador !

 

Desenho : Willem, Libé, 24 de Maio de 2011, p.24

Este post é a continuação do post "FMI & Dark Vador"

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

É o meu destino !

Já não posso fazer compras... Yoda que está sempre à minha espera... LoL !

 

Foto : DadaPortoMaravilha

 Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

No dia 5 de Abril do ano em curso, Strauss-Khahn, afirma perante uma plateia de estudantes da Universidade de George Washington :

"O antigo esquema da mundialização trouxe-nos muito, permitindo, nomeadamente, a centenas de milhões de pessoas de fugirem à pobreza, mas há também um LADO OBSCURO (sou eu quem sublinha) que é a disparidade vasta e em crescimento entre ricos e pobres ".

  

Fonte : Libé, 7 de Abril de 2011

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

crónicas congeladas

 

 

Com o devido reconhecimento a todos os envolvidos na tradução para outros idiomas desta antiga crónica congelada, Fundação e Star Wars: A vitória do Saber sobre a Espada! , disponibilizamos para além do original em Portugês, também agora em Francês, e Inglês.

por MrCosmos | link do post

 

 

[clicar para ampliar]

 

Decorriam os anos setenta. Em 1977,  A cidade de Metz apresenta o seu habitual Festival Internacional de Ciência-Ficção.

No programa há um filme que desperta interesse : Star Wars .

No fim do filme, Mézières conta : " Parece uma adaptação de Valérian ao cinema".

Star Wars um palimpsesto da Bd  Valérian et Lauréline ?

Note-se, quanto a este tema, a falecida revista Pilote já ironizava em 1983 sobre este assunto.

 

 

Este post deve ser lido como a continuação de :

Fundação e Star Wars : A vitória do Saber sobre a Espada e Valérien et Lauréline os pais de Star Wars?

Imagens : Tomo nº 1 da colecção completa da Bd Valérian et Laureline, ed. Dargaud

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Pierre Christin e Jean-Claude Mézières terminaram a série "Valérien et Laureline " com o tomo nº 21 : L'OuvreTemps .

Uma Bd cheia de humanidade !

Criada em 1967 , esta série , após quase meio século de existência, acaba com a passagem em revista de  vários episódios específicos da obra nascida nos finais da década 60 ( mas não só ) . 

Sabemos o que o filme  Star Wars deve a esta série . Quer quanto ao cenário quer quanto à decoração.

 

Este texto deve ser lido como a continuação do post :Fundação e Star Wars : A Vitória do Saber sobre a Espada.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

crónicas congeladas

versão 'fr' | versão 'en'

 

Correm textos que afirmam que a próxima grande produção cinematográfica mundial será a adaptação , à tela, da trilogia de Asimov: "Fundação". Seria um projecto titanesco. Mas, boato ou não, Bob Shaye e Michael Lynne , pensadores desta ideia, desencadearam milhares de comentários na net.

Para os amadores de ciência-ficção, "Star Wars" é uma cópia da obra de Asimov.

Se Asimov sempre afirmou que se inspirou da história do Império Romano, para construir a sua obra, já Georges Lucas sempre negou ter-se inspirado dos textos de Asimov.

 

 

Ora, há demasiadas evidências que assinalam a má fé, quanto a mim, do realizador de "Star Wars". E não sou o único a assim pensar.

Resumindo : O enredo de "Fundação" decorre no início do terceiro milénio. Hari Seldon, inventor da psico-história ( que permite "probabilizar" o futuro ), anuncia o fim do Império.  Preocupado, cria e organiza a Fundação : Instituição encarregada de recolher todos os conhecimentos humanos desde as origens.

Mas eis que aparece um personagem , "The Mule", um mutante , capaz de entrar e de manipular os espíritos. E quer conquistar o Império. Quer fazer sua a raça humana. Só que Seldon teria criado uma segunda instituição , escondida no cosmos,  capaz de formar os humanos a se protegerem da manipulação das mentes. E, logo, a combater " o mutante.

 

O combate entre a segunda instituição (fundação) e "The Mule" não terá tréguas. Talvez, no fundo, esta visão não seja mais que o combate entre homens livres e homens alienados (nazismo, estalinismo e outros salazarismos).

O realizador de "Star Wars" pode negar que não se inspirou de "Fundação". Pouco importa.

Mas não deixa de ser curioso :

 

Os robots R2D2 e C3PO de "Star Wars" lembram as três leis da robótica de Asimov.

Yoda, o sábio de "Star Wars" , não deixa de reenviar para Seldon o sábio de "Fundação".

A ideia de  Império,  Confederação  cósmicos estão já presentes na obra de Asimov.

E paro aqui porque não sou a Santa Inquisição (e que só era Santa de nome).

Ambas as obras proclamam a vitória do Bem sobre o Mal.

Todavia, se no filme, "Star Wars" , o Bem é vitorioso graças à espada ( ou o laser ), já no texto de Asimov o Bem é vitorioso graças ao Saber.

 

Nuno

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chronicles frozen

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Some rumors claim that the next world blockbuster will be the movie adaptation of Asimov’s trilogy: Foundation. This would be a titanic project. Yet, whether it is true or not, Bob Shaye and Michael Lynne, who originally thought about it, sparked off thousands of comments on the Internet.

For the science-fiction lovers, Star Wars is a copy of Asimov’s work. If Asimov has always maintained he had been inspired by the Roman Empire, nevertheless, Georges Lucas has always denied having taken inspiration from Asimov’s work.

 

 

Only too many hints show the Star Wars director’s bad faith. I’m not the only one to believe that.

To sum up, the plot of Foundation takes place at the beginning of the third Millennium. Hari Seldon, who created the psychohistory (which enables to foretell the future), announces the end of the Empire. Worried, he thus creates and manages Foundation: an institution in charge of collecting all the human knowledge from the Origins.

Yet here comes the Mule, a mutant capable of getting into the human mind to manipulate it. He wants to conquer the Empire. He wants to make the human race his. Except that Seldon is supposed to have created a second organization, a second foundation, hidden in the edges of the cosmos, capable of training the human beings to resist the Mule and the mental alienation.

 

The fight between the second Foundation and the Mule will be merciless. Maybe the scenario is nothing more than the illustration of the fight between the free men and the alienated men (Nazism, Stalinism, Salazarism, etc.). Never mind if the director of Star Wars was indeed inspired by Foundation. Oddly enough, we can notice that:

 

The robots R2D2 and C3PO remind of the three Laws of Robotics from Asimov. Yoda, the wise man in Star Wars reminds of Seldon the wise man in Foundation. The topic of the empire, the confederation and the cosmic universe is tangible in Asimov’s work.

I’ll stop here for I’m not the Holy Inquisition (holy by the name only!)

Both works declare the victory of the Good over the Evil; nevertheless, in Star Wars, if the Good triumphs thanks to the sword (or the light saber), on the contrary, in Asimov’s text, the Good triumphs thanks to knowledge.

Nuno

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chroniques congelés

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Certaines informations affirment que la prochaine grande production cinématographique mondiale sera l’adaptation à l’écran de la trilogie d’Asimov : Fondation. Ça serait un projet titanesque. Mais rumeur ou pas, Bob Shaye et Michael Lynne à l’origine de cette idée ont déclenché de milliers de commentaires sur le net.

Pour les amoureux de science-fiction, Stars Wars est une copie de l’œuvre d’Asimov. Si Asimov a toujours affirmé qu’il s’était inspiré de l’histoire de l’empire romain, par contre Georges Lucas a toujours nié s’être inspiré des textes d’Asimov.

 

 

Il y a trop d’évidences qui laissent croire en la mauvaise foi du réalisateur de Stars Wars. Et je ne suis pas le seul à le penser.

En résumant, l’intrigue de Fondation se déroule au début du troisième Millénaire. Hari Seldon qui est le créateur de la psycho-histoire  ( qui permet de «  probabiliser «   l’avenir ) annonce la fin de l’empire. Inquiet il crée et organise Fondation : Institution chargée de recueillir toutes les connaissances humaines depuis les origines.

Mais voici qu’apparaît Le Mulet, un mutant capable de rentrer dans les esprits humains pour mieux pouvoir les manipuler. Et il veut conquérir l’empire. Il veut faire sienne la race humaine. Sauf que Seldon aurait crée une, deuxième organisation, une deuxième Fondation cachée dans les confins du cosmos capable de former les humains pour pouvoir se défendre du Mulet et de l’aliénation des esprits.

 

Le combat entre la Deuxième Fondation et Le Mulet sera sans merci. Peut être que ce scénario n’est autre chose que l’illustration du combat entre des hommes libres et des hommes aliénés ( nazisme, stalinisme et autres salazarismes ). Le réalisateur de Stars Wars pourra toujours s’être inspiré de  Fondation . Peu importe. Mais il est curieux de constater que :

 

Les robots R2D2 et C3PO nous renvoient pour les trois de la robotique d’Asimov. Yoda, le sage de Star Wars fait bien penser à Seldon le sage de « Fondation ». L’idée de l’empire, de confédération et des univers cosmiques est déjà palpable dans l’œuvre d’Asimov.

Et je m’arrête ici  car je ne suis pas la Sainte Inquisition (qui n’avait de Sainte que le nom).

Les deux œuvres proclament la victoire du Bien sur le Mal. Toutefois si dans le film  Stars Wars  le bien est victorieux par l’épée ( ou  le laser ), par contre dans le texte d’Asimov le Bien est victorieux par le savoir.

Nuno

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