Comentava o Marco Pereira ontem no Facebook que "Este tempo tem coisas estranhas. Passamos da semana passada de alerta vermelho de risco de incêndio para alerta laranja de risco de inundações..."
E no mesmo dia aparecia este excelente vídeo (Link) , um dos 8 lançados à votação para uma mostra-concurso no Portal Portugal Vídeo.
De tudo um pouco, muita baboseira e comentários se vão ouvindo, lendo e "manifestando", sobre a austera situação que se vive no país.
E entre tanta indignação, segue-se um dos comentários mais "indignados" que encontro até hoje, enviado por um leitor deste post que fora destacado hoje pela homepage do Sapo, e ao qual lanço daqui o meu singelo aplauso. De pé!
É que, não raras vezes, entre tanta boçalidade, é também nas caixas de comentários que se encontra o que de melhor reside na blogosfera.
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"Comentário de CAFARA a 17 de Outubro de 2011 às 16:15
Depois de ler o post e ver alguns comentários, concordo com algumas coisas, sim é verdade. Quem sofre com tudo isto não se manifesta, (embora tenha visto na TV alguns beduínos " que nem banho tomam "coitados" a reclamar só porque a TV existe.) Depois de tanto se falar eu ainda não ouvi nenhum intelectual, dizer onde e como se deveria "cortar" até aqui ninguém é diferente do governo, ou seja sabe que tem de cortar mas não sabem onde. Eu digo-vos, trabalho desde que fui voluntário para a FAP em 1985, nunca tive férias, casei, comprei casa, tenho 2 filhos e nunca ninguém me deu nada. Trabalhei... Poupei... e hoje continuo a trabalhar aos fins de semana, na lavoura, coisa que 10.000 Portugueses não sabe que existe. Eu e minha mulher trabalhamos mais de 10 horas por dia, já fomos despedidos, a empresa onde a minha mulher trabalhava faliu e lá se foram meses de trabalho e subsídios , nós sabemos o que é sofrer quando muitos energúmenos gozavam férias no Algarve com dinheiro do banco. Nós pedimos dinheiro ao banco para comprar casa e esta está quase paga 15 anos depois (o credito era para 30 anos), depois de ser despedido constitui uma empresa que também atravessa dificuldades mas ainda não desisti e sabem porque? Porque nunca ninguém me deu nada e até o meu pai só me dava se eu merecesse. Agora existem os indignados, e eu pergunto indignados porquê? Porque estudaram nas universidades publicas pagas com os meus impostos? Porque tem um RSI suportado com os meus impostos? Porque tem um apoio ao arrendamento suportado com os meus impostos? Porque tem um sistema de saúde suportados pelos meus impostos? Porque querem que o estado lhes dê um emprego, suportado pelos meus impostos? Trabalhem peçam terra e cultivem-na nas horas vagas em vez de impedirem os outros de trabalhar, produzam... lembrem-se daquele senhor que foi á procura de trabalho e disse ao possível empregador que estava ali para lhe dar lucro e não á procura de emprego. Esse é o espírito trabalhar, render...só assim se consegue alguma coisa. Este povo filho de uma Nação Valente e Imortal, está a deixar revoltados os seus Egrégios Avós, esses que nos fizeram chegar á vitória da liberdade, da paz e do pão. Basta! Levantem hoje de novo o nosso Esplendor , levantem-se das Brumas do desemprego, garantam a vitória. Esqueçam aqueles que vos oferecem doces, é para vos enganarem "tolos". Eu sou um indignado por saber que existem indignados sem saber porque? Imaginem se algum desses indignados, fosse lançado no alto mar com intenção de os eliminar, alguma vez eles iriam cruzar os braços e esperar morrer afogados, como era inevitável ? Não eles lutariam até que a morte os vencesse, nunca desistam de deixem-se de americanices e lembrem que são lusitanos e o nosso Hino é realmente importante para aumentar o nosso ego. Tenho dito. "
Na semana posterior ao arranque do novo ano létivo escolar que introduziu a norma para a Língua Portuguesa ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, era já curioso constatar como o "resmungão" povo luso já o vinha adotando sem se aperceber mesmo, pelo menos na leitura do seu dia a dia, desde há vários meses, nos jornais, telejornais ,blogs, outdoors, etc, sem assaltos nem alaridos.
Gostava de saber a resposta de quantos terão reparado objectivamente, e dado pelas diferenças nesta breve introdução do texto segundo as mais flagrantes alterações do AO...
Contam-se pelo menos três: léctivo ; adoptando; dia-a-dia (com hífens) - eventualmente quatro: tele-jornais (com hífem).
Importa de facto por isso recordar e repetir, o que destacávamos já aqui há atrasado numa entrevista de Rui Zink.
E sim, o "C" de facto não cai alí porque não é mudo, pronuncia-se, portanto, escreve-se.
"-Jornal do Fundão - E é preciso tanto “barulho” sobre o novo acordo ortográfico?
-Rui Zink - Sou completamente a favor. Nós não somos os donos da língua... a única forma de evitar que a língua que nós falamos passe a ser uma espécie de mirandês, muito bonito, com interesse arqueológico, mas sem projecção internacional, é colarmo-nos ao Brasil. Quando as pessoas dizem “ai, mas nós é que falamos o bom Português”, eu não sabia que em Portugal havia tanta gente a falar bom português, a escrever bom português, a ler bom português e não sabia que nós tínhamos exactamente o mesmo sotaque de São Miguel ao Porto....
Houve uma coisa que me horrorizou... Há uns três anos fui a Paris e vi um dicionário “Francês - Brasileiro” e logo na introdução diziam que o português de Portugal já não tem nada a ver com o português do Brasil... Já são duas línguas completamente opostas. É evidente que a França aqui, embora seja nossa amiga, é rival. E eu tive oportunidade numa conferência que dei a certa altura dizer: “ah, pois, eu no outro dia estava com uns senhores que estavam a falar senegalês”. E aí os franceses levantaram-se logo a dizer “não é senegalês, é francês”... E eu disse: “Oh meus filhos da p***, se vocês falam do brasileiro e do português, então, também há o senegalês”. Quando o nosso adversário nos quer dividir, acho um tiro no pé este nacional-patriotismo em relação à ortografia perfeita, até porque nós não usamos a mesma ortografia que o Fernando Pessoa usou."
Nota da redação: «“Oh meus filhos da p***» - palavra incognita e censurada pelo maior jornal português antí censura de sempre, Jornal do Fundão - em bom português, continua-se a escrever, ler e declamar da mesma maneira de sempre: Oh meus filhos da puta!
Nos toques e retoques da edição diária apercebi-me que hoje é dia
3 de Agosto e que portanto, depois de ir confirmar ao certo,
confesso, que o Cosmeticas.org assinala dois anos.
É uma boa altura para agradecer a quem gosta de visitar esta nossa
"dimensão", bem como pessoalmente agradeço ao companheiro Nuno
PortoMaravilha pelo entusiasmo e partilha que aqui tem feito
conosco, que o gostamos de ler. É também com apreço que recebemos ao longo destes dois anos o reconhecimento demonstrado por vários "pares" dentro e fora da blogosfera. Por isso, boa continuação para todos e até já.
Quem pode ainda acreditar que Facebook é um espaço de Liberdade, de Igualdade e de Fraternidade?
Esta foto foi tirada aquando da realização do e-g8, em Maio, em Paris. O Tio Patinhas, criador da Facebook, oferece uma camisola, com o logo da sua empresa, ao presidente Francês.
Não creio que haja muito a dissertar sobre as manifestações (ou acampamentos?) Espanholas.
A Espanha é uma democracia !
E talvez os "indignados" se tenham esquecido deste panfleto clandestino, aquando das grandes greves dos mineiros Asturianos no final da década 60. Esses mesmos mineiros foram vítimas duma repressão sangrenta.
Que não se confundam alhos com bugalhos : Haverão menos vampiros. LoL !
Imagem : Foto, p. 21, nº 9 da revista "Internationale Situationniste", Agosto 1964 / Fonte : Arquivo pessoal.
"Participar ou não participar desta manifestação? Eis a indecisão."
Para quem acompanhou os posts por aqui sobre o tema '12 de Março' nos últimos tempos, percebeu um início de história indeciso, que culmina em algo surpreendido.
Surpreendido porque, ao querer registar o momento na minha capital de distrito, para memória futura, vejo, ouço, sinto, vivo com o meus próprios 5 sentidos, e a câmara grava, que aquilo era mais que o desabafo de uma geração. E os telejornais comprovaram: foi o desabafo de uma nação.
Extravasou os ditos "de uma geração", trouxe para a rua o comum do povo, dos 8 aos 80 , de forma pacífica, ordeira, exigente, determinada, convencida, apolítica: apenas se vislumbrava uma bandeira entre a multidão - a de Portugal.
O 12 de Março de 2011 que se aproxima, começa a inquietar alguma (bastante?) gente.
Tentativas de colagens, distorção da mensagem, juízos de valor da juventude que se propõe a levantar a voz, e outras demais leituras de intenções travessas, aos objectivos pretendidos pelos auto-intitulados, e passando a citar: “quinhentoseuristas e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal" - vão sendo apontados pelos fazedores de opinião habituais nos médias portugueses - como sempre do alto de sua "cátedra" sem sequer levantarem o cu de seus "cadeirões", e sem quererem perceber melhor o que realmente está em causa - como sendo a pura e dura demagogia que está para sair à rua, e que isso é... perigoso.
Tamanho "tiro no pé", como o que Miguel Sousa Tavares deu ontem no Jornal da noite da SIC (link), só me ocorre realmente o idêntico que Vicente Jorge Silva deu, no famoso editorial do Jornal 'O Púlico' de 1993, baptizando esta mesma geração que 20 anos depois quer voltar à rua, de "Geração Rasca".
O Movimento Organizador para 12/3 da 'Geração à Rasca', já exigiu, o respectivo direito de resposta ao canal. E era o que se lhes exigia fazer... (aqui) .
Entretanto, o manifesto de intenções vai-se clarificando, no site da organização, apoiado por uma já considerada poderosa arma, nos dias que correm, de seu nome Facebook, convencendo cada vez mais adeptos, e começa a conseguilos de todos os quadrantes profissionais, mais ou menos habilitados, mais ou menos qualificados.
De Lisboa e Porto, as concentrações já se alargaram neste momento, e estão marcadas para o mesmo dia, para outras cidades:
Depois do forte interesse e curiosidade, rodeado de alguma "graça", que a comunicação social começou por dar e exibir aos espicaçados jovens pela canção dos Deolinda, estes meteram mãos à obra, e a fase dos aconteciemntos agora passa mais por um "afiar de facas" perante as proporções do evento que ameaça meter respeito. Caso para perguntar: 12 de Março será "uma tarde de facas longas"? Ficará, ou passará?
Nos protestos recentes em França, contra o aumento da reforma, foi marcante ver uma imensa multidão sobretudo de juventude, a defender os interesses imediatos, não deles, mas dos mais "velhotes" (a quem se quer obrigar a adiar a idade de reforma).
Qualquer comparação ou inspiração com os protestos no mundo Árabe, soariam no mínimo à ridiculo, onde jovens lutam por paises democráticos (Liberdade, igualdade, Fraternidade, lembram-se?) pelo futuro do seu povo e do país, de um bem comum.
Em Portugal, daqui à algumas semanas, tentam suduzir pares em condição precária de trabalho a reunir e protestar, mas com cuidado para não ferir subsceptibilidades (políticas, leiam-se).
E de repente lembro-me: "eh lá, espera aí, que tu não és licenciado! Este protesto não é para ti. Como o dos profesores, os da Função Pública, os dos Polícias, não são, ou foram, para tí."
A questão subjacente à este post, foi basicamente colocada algures no último debate televisivo "Prós e Contras" , cujos promotores do protesto marcado para Lisboa e Porto em simultâneo, no próximo dia 12 de Março, recusaram o convite de se fazerem representar e assim exporem melhor os motivos que os movem.
Às duas por três um interveniente no debate afirma, e cito de cor, tentando transcrever em síntese a ideia expressa: "Os Jovens portugueses têm muitas habilitações mas poucas qualificações". Outro: "Qualquer dia o "homem do talho, ou o "trolha" serão pagos a preço de ouro" (por escasses de qualificados nestes sectores detentores de mau estigma e sujeitos a um preconceito crasso.
E eu desde o primeiro dia que tomei conhecimento do protesto que me pergunto o que se pretende: se defender o direito das qualificações, como citado no manifesto, ou se o que está em causa é o direito ao reconhecimento das habilitações (licenciaturas e afins).
Já havia torcido o nariz quando o site oficial do manifesto "Geração à Rasca" me recusou a publicação do seguinte comentário que a seguir se transcreve. Mal ou bem, vou ficando com a impressão que até os aspirantes a "protestantes" do amanhã (Os mais "habilitados"), percebem desde cedo que isto de sair à rua e fazer barulho é coisa de elites, já não é para operários.
E digo mal ou bem, porque eles (organizadores) fazem questão de não esclarecer ou permitirem-se a ser confrontados com o questionamento às suas reais motivações ou frustrações.
Participar ou nao participar desta manifestação? Eis a indecisão.
Que me revejo na Geração à Rasca, Quinhentista, dos Recibos Verdes, etc e tal? Revejo. Sei bem o que isso é!
Mas nunca fui de alinhar em rebanhadas.
Pior, pois depois de, à partida, começar por engraçar com o protesto em causa, com os dias que passam cada vez mais me convenço que em causa esta um lutar pela permanencia de um Portugal dos Pequeninos, o do beija-mao e do "Sim Sr. Doutor Engenheiro" !
Fica o meu comentário citado cujo site "Geração à Rasca" entendeu em censurar (não Publicar) no site.
MrCosmos à 14/02/2011 :
" Boa iniciativa, e bom sucesso! Revejo-me, até porque de resto tenho tido oportunidade de dissertar em concreto no tema (Geração Rasca) de há alguns anos à esta parte, e a propósito do tema dos Deolinda, ainda à dias colocava-me a questão da evolução geracional de rasca para parva aqui . Seria outro debate, mas têm um ponto na vossa “lista de reivindicações” que me suscita algumas reticências: “Direito ao reconhecimento das qualificações…”. Direito ao reconhecimento, ou direito ao Privilégio? Apenas pergunto. Desculpem o off topic, mas já não vivemos no tempo em que um canudo representava segurança e status. E quanto a mim é esta mentalidade que persiste indelevelmente e tem de ser repensada em Portugal e entre os Portugueses. Que jovens e que qualificações é que Portugal precisa? Um engenheiro, pode dar mais ao pais do que um carpinteiro? Até que ponto merecem distinção na forma, reconhecimento, tratamento ,enfim permitam-me: privilégios (que deixaram de existir num mercado inundado de licenciados sem necessidade e aplicação objectiva)?
Dia 12 vai-se reivindicar o quê, ou para quem?
Este tipo de manifestações e reivindicações estão demasiado coladas aos licenciados (já assim foi com a Geração Rasca), quanto a mim, e perdem o apoio dos jovens profissionais, técnicos qualificados, que sempre andaram “neste barco” o barco da precariedade, onde agora os mais qualificados também se encontram, por saturação do mercado. É-se parvo por admitir a condição de “escravo” a quem andou a estudar? Ou a parvoíce é pura e simplesmente persistir a condição de “escravidão” no séc. XXI ? É hora de unir, não de dividir e sei que é isso que se pretende. Força!
Contrariamente ao mercado Japonês que se limita aos Manga e ao dos USA que se limita aos Comics, a França apresenta uma variedade extraordinária de estilos, recusando monolitismo entre géneros.
A 38ª edição do Festival Internacional de BD de Angoulème atestou a afirmação da nona arte em França.
Em 2010, em França, foram publicados 5161 títulos de obras contra 1137 em 2005.
Alimentada por blogs especializados e por uma história ligada a uma sensibilização gráfica de longa data, a BD é hoje uma arte que se afirma de maneira pujante. Mais de 15 000 blogs são dedicados à nona arte.
O 38º Festival Internacional de Banda de Desenhada de Angoulème consagrou, entre outros autores, o Argentino Ricardo Liniers e os seus pinguins.