De 26 a 29 de Janeiro teve lugar o trigésimo nono Festival de Banda Desenhada de Angoulème.

É um acontecimento cultural importante na sociedade Francesa.

Em relação a 2010, a produção aumentou de quase 5 por cento. Foram publicados 5327 títulos de Bd.

 

Mais de um terço destes novos títulos são mangas asiáticos. 

O presidente do festival é Art Spiegelman, o pai de Maus, vencedor da edição 2011. 

Duas Bd já aqui apresentadas fazem parte da seleção oficial:

Pour en finir avec le cinéma de Blutch

Portugal de Cyril Pedrosa

 

Art Spiegelman também realizou uma obra, MetaMaus, onde se interroga sobre a escolha da Bd para tratar o Holocausto...

 

Foto: Zoo, Jan de 2012, p.6

Este post pode ser lido como a continuação de A Bd pelas trilhas do vinil 

Nuno

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Os mercados não aprovam, os mercados preocupam-se...

E se substituíssemos a palavra mercado por especuladores?

E se substituíssemos a palavra especuladores por falsários?

Talvez fosse mais Claro?

Não acham?

 

Imagem: Vinheta da Bd Tintin:  L'île Noire

Nuno

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"O cinema é só uma maneira de falar do tempo que passa..."

 

Fonte: Blutch, BDCAF'mag, nº39, Set-Out de 2011, p13.  / Imagem: Capa da Bd de Blutch.

Este post pode ser lido como a continuação de A BD e o Elixir da Eterna Juventude

Nuno

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A Bd Portugal não é uma obra de leitura fácil.

Se o belo grafismo do autor, Cyril Pedrosa, é fácil e deslizante, já menos poderão ser os sentimentos complexos que o autor trata na sua obra.

Não creio que esta Bd seja uma obra, meramente, autobiográfica.

Existem, todavia, nela aspectos que reenviam para a memória: Simon Muchat, autor de Bd, deixou de ter inspiração criativa e parte em busca das suas origens, desaguando em Portugal. E desagua em Portugal porque é convidado para um festival de Bd.

 

Portugal é o país do avô de Simon Muchat. E Simon Muchat descobre, pouco a pouco, uma parte das suas origens.

A reflexão que nos livra Cyril Pedrosa é leve. Mas, ao mesmo tempo, grave porque questiona as relações que os adultos podem ter com o seu passado e com a sua infância.

Esta Bd é, actualmente, um dos maiores sucessos da "Rentrée", sendo destacada quer nas livrarias especializadas quer nas revistas especializadas.

O Albúm foi editado graças ao apoio do "Centre National du Livre".

E, graças a este apoio, a Bd não foi publicada, passem-me a expressão, em fatias de salpicão, ou seja, em folhetins.

 

Foto: Prancha da Bd.

Nuno

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Entrevistado pelo cinéfilo Mário Augusto acerca da estreia de se novo filme no papel de Johnny English, Rowan Atkinson assume que parou com o personagem de Mr. Bean porque via o mítico  e bem sucedido "Sr. Feijão" como um Personagem de Banda Desenhada, e em BD os Personagens não envelhecem.

 

Logo, persistir o ator em interpretar Mr. Bean na tela seria envelhece-lo e , interpreto eu segundo seu argumento, deteriora-lo.

Sim, faz sentido.

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Considero a Bd Manga, Homunculus, a melhor Manga de sempre no âmbito das que li.

É uma opinião subjectica.

Penso que é uma reflexão a propósito do que é o cérebro humano e das "neurociências". É de atualidade!

Com o número quinze, múltiplo de três, findou o relato... mas não a nossa interrogação que, essa, continua....

 

Este post deve, absolutamente, ser lido como a continuação de Homunculus: A referência da Bd Manga

Foto: Imagem da penúltima página do tomo XV.

Nuno

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O filme de Nanni Moretti é um acontecimento cinamatográfico invulgar.

Ele põe em cena o Cardinal Melville que não quer ser Papa.

Não quero, com isto, escrever que o Cardinal de Melville fosse contra o Papado, o capitalismo... Ele queria era ser livre. Daí o seu silêncio e o enorme grito que rasga o silêncio.

 

Tem encontro com a História, mas fica sentado enquanto a multidão o espera vê-lo no balcão, na Praça São Pedro, em Roma.

A noção de responsabilidade colectiva e pessoal é questionada pelo filme.

O Cardinal de Melville é, fantasticamente, incarnado por Michel Piccoli.

Michel Piccoli deu uma grande entrevista à revista Télérama. Passo a traduzir as palavras, deste grande actor, que me parecem pôr em relevo a evolução do cinema (mas também do teatro) no seio das nossas sociedades ocidentais.

 

Leia-se:

A sua carreira dá uma impressão de liberdade, de diversidade, mas também de fidelidade: A Ferreri, Buñuel, Varda, Sautet, Godard, Oliveira...

 

O que sempre me interessou na minha profissão foi de viajar, de poder fazer tudo e ainda mais. Estando sempre atento às pessoas que pediam para trabalhar comigo. Tive a sorte de ter sido escolhido por pessoas excepcionais e duma grande elegância. Foram encontros e relações apaixonantes... Nunca calculei para atingir o cume. O que é o cume? Se queremos guardar prazer para exercer esta profissão, é preciso estarmos disponíveis, egoistamente, para as coisas mais enriquecedoras. Para si mesmo. Mesmo se tenho a pretensão de pensar que fiz muitas coisas que eram enriquecedoras para o público. Mas a profissão de actor é cada vez mais "dificultuoso" ("difficultueux" no texto Francês). Insisto nesta palavra. Hoje todas as moças querem seguir cursos de cinema ou de teatro. Antes, nas famílias abastadas como modestas era uma vergonha, era quase prostituição. Hoje é valorizante...

 

Este post pode ser lido como a continuação de O Papa Terrível

Fonte citada: Télerama, nº 3215, Agosto 2011, p.11 /Foto: Cartaz do filme.

Nuno

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Após o Planeta dos Macacos, eis nos no Planeta dos Sábios...

Jul realizou com Charles Pépin uma enciclopédia, em Bd, da filosofia e dos filósofos.

O álbum, La Planète des sages, ed. Dargaud, estará disponível a partir de 26 de Agosto.

É este álbum uma maneira lúdica de divulgar a filosofia ? Fica a pergunta...

 

Imagem: BDCAF'mag, nº38, p.14 / Este post pode ser lido como a continuação de: Sê Macaco e grita

Nuno

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Discurso de Art Spiegelman, aquando a atribuição do Sonderpreis, a 16 de Junho de 1990, Salão da BD de Erlangen (RFA):

 

"É uma coisa estranha, para um rato, receber um prémio doado por uma assembleia de gatos; Por ter contado a maneira como os gatos mataram os ratos. É uma coisa estranha, para mim, Judeu, estar, aqui, na Alemanha, para receber um prémio; Por descrever como os vossos pais e os vossos avôs foram cúmplices do assassinato dos meus avôs e da minha família. É estranho também para vós de me entregar este prémio; Isso, não é sem problema. Como poderiam não mo ter entregue? Isso, poderia ser interpretado como uma ausência de sensibilidade, sob o ponto de vista da nossa história comum. Por um outro lado, dar-me este prémio poderia ser entendido como o resultado duma consciência culpável, uma espécie de reparação de guerra ao filho dum "escapado".

 

Ach! Ei-los bem os Judeus a falarem de novo de culpabilidade num serão tão belo! Nós temos uma longínqua tradição para infligir a culpabilidade que nos chega, directamente, desses abomináveis dez mandamentos (" Não fodas a mulher do teu vizinho", "Sê gentil com o teu papai e a tua mamai"). É mais educado falar em remorsos ou na responsabilidade do que na culpabilidade. É um conceito desagradável: A culpabilidade. Mas, apesar de tudo, penso que não merece a sua má reputação. Eu mesmo sinto-me culpado por imensas coisas: Pelos sem abrigo em Nova Iorque, pelos meus pensamentos impuros, pela masturbação, por não utilizar produtos recicláveis - e a culpabilidade talvez seja o agente civilizador mais útil, para impedir que as pessoas não se comportem de modo ainda pior do que poderiam fazer duma outra maneira. É talvez uma coisa explosiva  viver com a culpabilidade, mas é talvez o preço que nós humanos devemos pagar para aprender a verdadeira compreensão.

 

E, francamente, sentir-me-ia em mais segurança numa Alemanha culpável do que numa Alemanha deixando-se cair na euforia nacionalista, neste presente em que me parece que, duma certa maneira, ela ganhou a Segunda Guerra Mundial, após quarenta e cinco anos.

 

Vejam, o meu pai nunca mais quis pôr um pé na Alemanha após a guerra. Nunca recebeu um pão com a forma Max e Moritz ( prémio tradicional do Salão da BD d' Erlangen) da parte dos vossos pais ou avôs. O seu pão tinha a forma dum caixão e, na maior parte das vezes, nem sequer havia isso. O meu pai zangava-se, quando eu comprava o que quer seja fabricado na Alemanha. Andava muito zangado que desenhasse com uma caneta Rotring fabricada na Alemanha. Quando era criança, achava a sua atitude ridícula, mas, agora, penso ele tinha razão. Os Rotring proporcionam um traço intenso e mecânico. Desenho, agora, exclusivamente com uma caneta Pelikan: É mais flexível e viva. Danke schon por este prémio."

 

Art Spiegelman

 

Este post deve ser lido como a continuação de  Maus: Uma obra Prima da Bd 

Fonte: L'Autre Journal nº5, oct 1990, p. 194

 

Nuno

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Foram precisas décadas para que se desse, finalmente, uma continuação conseguida ao romance de Pierre Boulle: La Planète des Singes.

Continuação que o realizador Rupert Wyatt soube elaborar.

Pierre Boulle, conheceu os acontecimentos da segunda guerra mundial. Em 1963, elabora o seu romance, La Planète des Singes. Não é só um romance de ciência ficção. É também um questionamento sobre o funcionamento das sociedades humanas.

Esta obra, tornando-se um clássico, começa a questionar a sociedade Francesa. Se acrescentarmos, a este suceso de edição, o sucesso da canção de Françoise Hardy, tous les garçons et toutes les filles de mon âge, praticamente publicado na mesma altura, podemos pensar que as premissas de Maio de 68 estavam reunidas nestas duas obras.

 

Curiosamente, a primeira versão cinematográfica do livro de Pierre Boulle sai nos USA em 1968. O Filme é de Schaffner, tendo como actor principal C. Heston.

Da obra de Pierre Boulle, nascerão Bandas Desenhadas, folhetins televisivos e vários filmes. Em 2001, Tim Burton, tentou uma adaptação demasiada pretensiosa (opinião subjectica) que não teve qualquer êxito.

O filme de Rupert Wyatt, focando a pesquisa sobre a doença de Alzheimer, nos remete para a memória do texto e da tela.

Existem demasiados paplimpsestes, piscadelas..., na obra de Wyatt para que se possa resumir tudo. O filme apresenta uma vitória do dominados sobre os dominantes. César deveria chama-se Espartacus..., por exemplo.

 

O filme de Rupert Wyatt, sem 3D e sem cenas de sexo ou violência deliberada, convida-nos a pensar a ciência e o progresso.

Interessante verificar que, novamente, Andy Serkis, após a sua prestação no "Senhor dos Anéis", no papel de Gollum, se torna o actor que sabe actuar com os seus olhos, qualquer que seja o disfarce ou a técnica elaborada.

O Planeta dos Macacos: A origem, é um filme que nos leva a meditar sobre a ciência, o progresso e a violência.

E talvez melhor que certos pomposos tratados filosóficos.

 

Foto: Le Figaro Magazine, 12 de Ag de 2011, p. 76

Nuno

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A Moody's despertou a padeira escondida que existe em cada um de nós.

Povo de brandos costumes sim, mas que não lhes pisem os calos, ou vai tudo corrido à pazada.

 

Desde encomendas mal cheirosas, a centenas de milhares a perfilarem para contra o website da Moody's marchar, marchar, marchar, os mais velhos do canto da Europa alertam os Iankees que respeitinho é bom, e eles gostam.

 

Sobre a BD

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Os Manga souberam encontrar uma diversidade que a Bd Franco-Belga ou os comics US nunca souberam explorar.

Os Manga criaram uma diversidade fora de série que parece acompanhar o estilhaçar do indivíduo no âmbito do ultra-liberalismo.

Como se os Manga estivessem para a Bd como Fernando Pessoa ( perdoem-me os puristas) está para a literatura ou a poesia.

Veja-se esta diversidade que pode ajudar a entender a BdManga :

 

Shôjo: Manga para meninas adolescentes.

Josei: Para moças e adultos.

Shôjo-ai: Romance sentimental entre mulheres.

Shônen-ai: Romance sentimental entre homens.

Yaoi: Romance sexual entre homens.

Yuri: Romance sexual entre mulheres.

 

Tal como na teoria dos conjuntos, existem intersecções.

Todavia, o Cosméticas, precursor do aquém e do além, defenderá sempre que não existem fronteiras num relato contado em imagens.

 

Imagem: detalhe da Manga "Ultra Haeven" de Keiichi Koike

Nuno

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Quem já viu um pássaro destruir o seu ninho?

É o anúncio, segundo um provérbio Chinês da Antiguidade, que anuncia a desordem e as trevas no Império.

 

Imagens: Bd de Quino / Next, nº36, p. 68.

Este post pode ser lido como a continuação de: "Festejar Mafalda para melhor esquecer Quino?"

Nuno

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Porque é que as pontas do Castelo de Porto de Mós são verdes ? (Link)

Uma outra excepção cultural Portuguesa ? 

 

Fontes : Quadro de Porto de Mós / Bd: Le Trône d'Argile, p.2, Delcourt, Paris, 2006

Nuno

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Este post não procura de modo algum justificar as barbaridades cometidas por um homem que, em nome duma ideia ou crença, matou milhares de inocentes e que nunca respeitou a democracia. Que isto seja explícito.

É em defesa da democracia parlamentar (sim parlamentar) que passo a traduzir o texto de Philippe Ramos ( Último filme : "Jeanne captive", Quinzaine des Réalisateurs, Cannes, 2011 ) :

 

"Fort Obama :

 

O Presidente Obama, os políticos e os militares que o rodeiam não gostam de "westerns". É pena porque, lembrando-se de " Fort Apache", poderiam se ter perguntado se não era inadmissível comparar a resistência Índia com o terrorismo islamista. Parece que nada disso os interessava, tendo uma opinião resoluta sobre o assunto : E, para grande desespero da comunidade Índia, deram, como nome de código ao terrorista islamista Oussana Ben Laden, o nome dum dos maiores chefes da resistência Apache, a saber Géronimo. Com isto, Obama não só deixou sujar a memória dum homem como também deixou sujar uma comunidade que luta pelos seus direitos e dignidade. Este presidente que pelo passado citou Martin Luther King, parece ter riscado do seu vocabulário a palavra resistência."

 

Fonte : "Le Libé des Cinéastes", 11 de Maio de 2011, p.29

Imagem : Vinheta da Bd de Charlier e Giraud: "Géronimo l'Apache", p. 47 ( ed. Dargaud )

Nuno

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