Tal como era censurável que as autoridades portomosenses se mantivessem arredadas das comemorações da Batalha de Aljubarrota, parecem-me louváveis as aparentes tréguas verificadas na organização das comemorações, e onde finalmente se pode constatar, pela primeira vez, uma defesa condigna dos interesses e da memória portomosense, com a participação do Município de Porto de Mós na organização conjunta (com a Fundação Aljubarrota e o Município da Batalha) das habituais comemorações assinaladas há cerca de 15 dias.

 

Entre 1383 e 1385 os tempos em Portugal foram de crise política, guerra civil e anarquia.

Fruto das pelejas constantes entre os dois reinos vizinhos, que procuravam a sua consolidação no território da Península Ibérica, a coroa portuguesa colocou-se numa posição frágil resultante de um acordo de paz (Salvaterra de Magos, Março de 1383) quando seu rei, D. Fernando I acede a que o filho varão que nascesse do casamento de sua filha única, D. Beatriz, com D. Juan I de Castela, herda-se o reino de Portugal. Tal posição era mal vista pela maioria dos portugueses que entendiam ser grande o perigo de união dinástica de Portugal com Castela, caso D. Beatriz viesse a falecer antes de seu marido, e sem filhos.

Perante a resistência de Portugal a ser subjugado por Castela, os portugueses unem-se em volta de D. João, mestre da Ordem de Avis, aclamado pelas cortes em Coimbra (Abril de 1385) como sucessor do trono.

 

Foi neste contexto de crise e guerra que a povoação de Porto de Mós e o seu castelo tomaram o partido de D. João I e acolheram as suas tropas, comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, na véspera da grande batalha que viria a afirmar definitivamente Portugal como uma nação sólida e independente. Foi nos terrenos de Porto de Mós que se travou a mais célebre e importante das batalhas portuguesas. Batalha essa que confirmou Portugal, para além de uma nação reconhecida, como um povo de querer e vontade afirmativa.

 

Que Porto de Mós e o seu Município saibam, neste concreto e definitivamente, “sair do armário”.

PC Jerónimo da Silva

publicado no Jornal 'O Portomosense' de 02/09/2010

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« Perante as culturas desconhecidas, Tintin é um racionalista aberto à
possibilidade de outras formas de interpretação do mundo. »

 

A revista " Philosophie Magazine" do mês de Setembro de 2010 dedica um número fora de série aos álbuns de Tintin.

Estes são analisados e pensados por grandes filósofos e escritores.

Por exemplo, para Philippe Descola, professor de antropologia no "Collège de France", " Tintin partilha o mesmo espaço que o etnologista, o espaço do "entre dois" : Entre o território para onde se vai e aquele de onde se vem. Tal como ele, deve-o tornar fecundo para melhor entender o que nós somos através outrem. "

 

Philosophie Magazine é uma publicação mensal independente criada em 2006.

Foi eleito magazine do ano 2010 pelo "Syndicat de la presse magazine" e por um conjunto de 400 editores e redactores de magazines Franceses.

 

Este post pode ser lido como a continuação de " Lévis Strauss Presente " e de "Nós e os Outros".

Imagem : p.48 da revista / em " L'Oreille Cassée"

Nuno

 

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Christopher Nolan, realizador de Inception, parece que gosta de fazer filmes que só se podem entender no final da última cena.

Admirador do grande escritor José Luís Borges, Nolan afirma que :

"Hoolywood é um território mental onde nos esforçamos de fabricar filmes para a maioria e, por vezes, com ambições artísticas."

 

Foto : Le Monde Magazine, 17 de Julho de 2010, p. 39

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

(Cliquer pour agrandir)

 

 

Perante a leitura actual da imprensa internacional e não só, pareceu-me interessante citar os propósitos de Eugénio Kaspersky.

Passo a traduzir a sua entrevista ao diário "Libération" de 4 de Março de 2010, página 27.

Eis, então a entrevista e a sua introdução :

 

O homem é jovial e não maneja a língua do politicamente correcto, não hesitando em apontar "os idealistas da net" como lhes chama. O Russo Eugénio Kaspersky tem 44 anos e é perito em segurança informática, sendo fundador do anti-vírus do mesmo nome. Não pára de pôr em guarda contra os perigos duma internet "insuficientemente controlada" que, ele próprio, convida a "despoluir". Este diplomado em criptografia estudou nos viveiros do KGB e instalou, inicialmente, os locais da sua "start-up moscovita" no mesmo prédio que um laboratório de pesquisa científica sobre os sistemas de vigilância de acompanhamento dos mísseis. Cabeça duma sociedade de 1200 pessoas que revindicta a sua presença no top 100 dos editores de softwares, fornecedor de anti-vírus do "Ministère de l'intèrieur Français", Eugénio Kaspersky explica ao "Libération" porque batalha para uma melhor segurança das redes. Propósitos livres, "100 % assumidos", insiste.


Como descreveria a evolução da cibercriminilidade ?

As ameaças não param de crescer. Primeiro, tivemos direito às proezas individuais dos "crakers". Em seguida, constatamos a emergência de grupos bem especializados, em geral por país e por tipo de actividades. Hoje, por fim, temos que fazer frente a um mercado globalizado que funciona, um pouco, como uma gigantesca bolsa de trocas com clientes desejosos de lançar ciber-ataques e, outros, fornecendo os intrumentos para os levar a cabo e, ainda, outros que se encarregam unicamente da sua execução. Um mundo extremamente fechado e estilhaçado entre aqueles que se chamam "White hat" ( gentis "hackers" ) e "Black Hat" ( cibercriminais ). Francamente, conhecemos mal essas pessoas. Nunca são presas.

 

Mas o que faz a polícia ?

Fora da União Europeia, onde existe uma real colaboração, é muito difícil lutar à escala internacional. Não há nenhum contacto ou quase entre Europeus e Russos : Nada com os Chineses, Latino-Americanos. Ora os cibercriminais brincam com as fronteiras. Resultado, é extremamente raro que possamos ir até à fonte dos comanditários das redes.

 

Para si, a Net ficou incontrolável ?

Pior ! O que é certo é que a protecção dos indivíduos, dos estados e das empresas é muito insuficiente. A maior parte das pessoas não são conscientes de todos os perigos da rede : Fazem-se, naturalmente, confiança nas redes sociais. Mas aconselho-os a não acreditarem en ninguém que não conheçam em carne e em osso, de desconfiar de cada sms, etc.

 

Mas é completamente "parano" !

Aí sim ! Trabalho desde há anos na segurança informática e aprendi que aí a realidade ultrapassava os meus piores cenários paranóicos. Infiltrando 1 % dos computadores do planeta via redes " fantasmas", pode-se bloquear todo o sistema, as redes de comunicação eléctricas, os mercados financeiros, os sistemas de defesa, etc. Uma recente simulação de ciber-ataque surpresa contra os Estados-Unidos provou a que ponto estavam mal preparados. Uma minoria pode amanhã bloquear toda a economia mundial que depende, desde já, a 90 % da teia. E não é ciência ficção.

 

Mas o que é preciso fazer então ?

É preciso dar mais poderes àqueles que lutam contra o cibercrime e pôr em lugar um sistema de identificação internacional para cada utilizador da rede. Se um país recusa este alinhamento no âmbito desta nova arquitectura, fica sem conexão.

 

Acabou o anonimato, o direito ao esquecimento ?

Mas ninguém é anónimo na internet, salvo, precisamente, os cibercriminais. Estes sabem como não deixar vestígios. Acabámos por apanhar pessoas sobre o jogo em rede "World of Warcraft" . Só a partir dum pseudónimo. A diferença é que com uma autentificação para cada utilizador além do endereço IP, tornar-se-á complicado para os cibercriminais de ficaram anónimos.

 

O seu internet do futuro é o oposto total do imaginário libertário dos inícios da rede...

E por causa. A rede é hoje frequentada por mil milhões e meio de indivíduos. Na altura, a internet dos pioneiros só dizia respeito a alguns investigadores que trocavam dados entre universidades. Mas também não sou favorável a que cada indivíduo seja controlado a qualquer momento na rede. Se este bilhete de identidade virtual nasce e de maneira global, caso contrário não serve para nada, será de maneira progressiva. Podemos mesmo imaginar que não dirá respeito a todas as actividades. Pessoalmente, é me indiferente que seja ou não pedido nas redes sociais ou twitter.

 

Se o anonimato já não é possível, como vão fazer os opositores Iranianos ou Chineses para ultrapassar a censura e o policiamento nos seus países respectivos ?

Boa pergunta. Mas vou ser franco e muito pouco politicamente correcto. Se a minha segurança está em perigo, se o meu país ou a minha actividade são ameaçadas, é preciso tomar as medidas que se impõem. Mesmo se incomoda essas pessoas que se batem por mais de liberdade. Desolado. Entre uma protecção a 99 % contra os ataques ciberterroristas e o combate por mais de liberdade na China e no Irão, voto pela minha segurança.

por PortoMaravilha | link do post

 

( Sem bateria no telemóvel ? )

 

por MrCosmos | link do post

 

 

 

Foram precisas décadas para ver "Enquête sur un citoyen-au dessus de tout soupçon" editado em DVD.

Desde finais de Junho, deste ano, é uma realidade.

Rodado antes de "La classe ouvrière va au paradis" ( Palma de Ouro em Cannes em 1972 ),  "enquête" nada perdeu da sua actualidade.

Ele pinta a omnipotência dum chefe da polícia política que, após ter assassinado a sua amante, brinca às escondidas com os seus colegas polícias.

O filme de Elio Pietri foi coroado com o Óscar do melhor filme estrangeiro em 1971. A música é de E. Morricone.

 

Este filme é uma obra prima do cinema mundial.

Foto : mídias fr

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Eu sei que estou a ser extremamente velhinho, incluindo o estilo Manga no campo da Bd.

Não vamos ser inocentes : O estilo Manga deve muito à escola Franco-Belga e, sobretudo, Belga.

Mas pouco importa os purismos.

Homunculus é a Bd Manga de referência. Escrita por Hideo Yamanoto desde 2003, esta obra conta já onze volumes.

O grafismo é muito bom.

 

O resumo da estória é simples e questionante como a pré-história.

Manabu Ito é um estudante de medicina que se preocupa com interrogações que ultrapassam a ciência.

Susumu Nakoshi é um ser racional que se tornou sem domicílio fixo pela força da vida.

Contra 700 mil yens, Susumu aceitará a oferta Manabu : Conhecer uma "trepanação" do cérebro.

Graças ou por causa desta experiência, Susumu alcança o sexto sentido e descobre um novo sentido que lhe permite descobrir a alma de outrem.

 

Fica aberto um novo espaço : Manga :  Quer em Bd ( oups ) quer em animado ( filme ).

 

Imagens : Pranchas do Tomo 1

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

No Níger, homens Peuls Bororo dançam maquilhados diante das mulheres, esperando serem escolhidos.

Se a palavra arte é do género feminino em Português, já em Francês é do género masculino.

E o que dizer, no campo lexical do calão, de "o engate" e o do seu equivalente Francês "la drague" ?

Quem disse que as línguas não tinham um sexo ? A palavra e Le mot ?

Este post também pode ser lido como a continuação de " As línguas têm um sexo ? "

 

Foto : Libération, 20 de Julho de 2010, p.23

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Fica aqui uma foto de pôr do sol nas praias do Furadouro ( Ovar ).

Foto tirada por uma "Normande", de modo espontâneo, com o seu celular.

Quem disse que Portugal era um país sem interesse ?

 

foto : DadaMaravilha

Nuno

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Joseph :Penso que Homunculus não é reservado aos ...
Homunculus n'est pas la référence de la BD manga, ...
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